Arlete Carvalho/Abrajet Tocantins
Aliando tradição e novos sabores as cachaçarias Palmeira e Palmeirinha estarão presentes na Agrotins 2026
Entre os alambiques espalhados pelo interior do
Brasil, poucos produtos carregam tanta história quanto a cachaça. A bebida, que
nasceu nos engenhos de cana-de-açúcar ainda no período colonial, entre os
séculos XVI e XVII, tornou-se um dos símbolos da cultura brasileira. Diz a
tradição que a primeira versão da cachaça surgiu justamente da fermentação do
caldo de cana utilizado nos engenhos, transformando um subproduto em patrimônio
nacional. Hoje, mais do que bebida, a cachaça também movimenta o turismo rural,
valoriza tradições familiares e ajuda a contar a história de comunidades
inteiras.
No sudeste do Tocantins, na região das Serras
Gerais, o município de Combinado guarda um desses capítulos familiares que
atravessam gerações. É lá que estão lado a lado a Cachaçaria Palmeira e a
Cachaçaria Palmeirinha, dois empreendimentos nascidos de uma mesma raiz: o
antigo alambique criado pelo avô dos atuais proprietários, os irmãos Paulo
Palmeira e Ailton Palmeira.
A tradição familiar acabou seguindo caminhos
diferentes, mas complementares. Enquanto Ailton Palmeira manteve viva a
produção mais clássica da bebida na Cachaçaria Palmeirinha, Paulo Palmeira
decidiu apostar na inovação e na chamada “gourmetização” da cachaça na
Cachaçaria Palmeira.
Na Palmeirinha, o destaque continua sendo a cachaça
pura, in natura, sem aditivos ou envelhecimento especial, preservando o sabor
forte e tradicional apreciado pelos consumidores mais antigos. O produtor
também trabalha versões envelhecidas em barris de Carvalho, Amburana e Bálsamo,
madeiras consideradas tradicionais no universo da cachaça artesanal e
responsáveis por conferir aromas e características diferentes à bebida.
Já na Palmeira, o visitante encontra uma
experiência mais ousada e aromática. Paulo Palmeira desenvolveu uma linha de
bebidas mistas produzidas a partir da infusão de frutas e ervas, muitas delas
cultivadas no próprio pomar da família. Atualmente, são 18 sabores diferentes,
transformando a tradicional pinga em uma bebida mais leve, perfumada e voltada
também ao público que busca novas experiências gastronômicas. Outro diferencial
está na apresentação: além das embalagens convencionais em litro, os produtos
recebem envases especiais que chamam atenção pelo apelo artesanal e turístico.
As duas cachaçarias estarão entre os expositores da
Agrotins 2026, que será realizada entre os dias 12 e 16 de maio, no Parque
Agrotecnológico Engenheiro Agrônomo Mauro Mendanha, em Palmas. A participação
representa uma oportunidade para os visitantes conhecerem de perto os sabores
produzidos em Combinado e perceberem como a tradição da cana-de-açúcar também
faz parte da identidade cultural das Serras Gerais.
Os produtos das duas cachaçarias foram degustados
por jornalistas em visita a Combinado, levados pela Caravana do Turismo da
Associação Brasileira de Jornalista de Turismo – Seccional Tocantins (
Abrajet-TO). O projeto visa contribuir com desenvolvimento da atividade
turística no Estado por meio da divulgação dos atrativos e potencialidades
econômicas do setor.
Para quem aprecia turismo de experiência, os dois
produtores lembram que as cachaçarias funcionam durante todo o ano no município
de Combinado, onde visitantes podem conhecer os alambiques, acompanhar parte da
produção artesanal e degustar os diferentes estilos da bebida. As propriedades
vizinhas acabaram se transformando também em parada obrigatória para turistas
que percorrem os atrativos naturais da região das Serras Gerais.
Além da venda direta nas cachaçarias, os produtos
da Palmeira e da Palmeirinha também podem ser encontrados em supermercados e
lojas especializadas em bebidas no Tocantins, ampliando a presença de uma
tradição familiar que começou no alambique do avô e hoje mistura herança
cultural, empreendedorismo e turismo regional.
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